domingo, 4 de setembro de 2011

7º ANO - Renascimento


O Renascimento
               O Renascimento é um momento de ruptura que se opunha à Idade Média.  O universo medieval era tratado pelos renascentistas como um tempo obscuro cheio de irracionalidade e ignorância, por isso chamavam de Idade das Trevas.  A visão de mundo que começa no século XV procurou retomar os princípios greco-romanos para fazer renascer a razão, o conhecimento e as artes.
               O Renascimento começou a se configurar, lentamente na Baixa Idade Média, junto com a ampliação das atividades comerciais e urbanas.  A partir do século XV, com a expansão marítima, o reforço dos Estados nacionais, a constituição das bases das línguas nacionais, o fortalecimento da burguesia, enfim, com o desenvolvimento do capitalismo, os novos valores humanistas e renascentistas se consolidaram e propagaram-se.

As origens do humanismo
               As transformações que ocorriam na Europa medieval tornavam necessárias a atualização e dinamização do conhecimento.  Introduziu-se na formação educacional os “estudos humanos” (história, filosofia, retórica, matemática e poesia) que procuravam dar condições para o progresso e desenvolvimento humano.  Dois elementos foram muito importantes para o desenvolvimento do humanismo: 1) para aprofundar-se nas disciplinas humanas, era necessário retomar alguns autores, temáticas e alguns princípios da Antiguidade Clássica (greco romana) que haviam sido esquecidos durante a Idade Média; 2) os “estudos humanos” procuravam centralizar e basear suas questões e análises no mundo concreto dos seres humanos e na realidade natural e social que os cercavam.  Assim, as explicações sobre os seres humanos e a natureza deixavam de se basear em Deus, nos aspectos divinos e nos dogmas católicos, sem acarretar um rompimento com a religião católica.
               O humanismo, caracteriza-se como um movimento antropocêntrico, que glorifica o homem e a natureza humana (antropo = homem / ser humano; cêntrico = centro; ou seja, o homem e as coisas humanas são as medidas e o centro do universo); diferente do teocêntrico (teo = Deus; cêntrico = centro) dominante na Idade Média, fundado no divino e no sobrenatural.
               Essa nova forma de encarar os homens e a natureza, implicou novos questionamentos e investigações, que foram fundamentais para o desenvolvimento do comércio, das navegações, das novas invenções, da ciência etc.

O Renascimento Italiano
               O movimento renascentista teve início na Itália, no final da Idade Média.  As cidades portuárias que mais se destacavam eram as do norte, Veneza, Nápoles e Gênova; e no interior da Itália, Florença, Milão, Pisa, Turim etc.  A Itália ainda não existia como nação unificada e estava dividida em diversas cidades independentes que realizavam várias atividades mercantis.  A luta entre as cidades pelo monopólio comercial gerou uma série de conflitos.  A burguesia comercial mantinha suas cidades protegidas por exércitos mercenários.
               Aproveitando o período de instabilidade política, muitas famílias burguesas articulavam golpes contra quem estivesse no poder, por exemplo: a família Médici, em Florença, e a dos Sforza, em Milão.  Algumas famílias burguesas mantinham e financiavam artistas, cientistas e homens de letras, em busca de reconhecimento, distinção e poder.  A Aristocracia italiana e a Igreja Católica seguiram esse exemplo.  Esses protetores das artes e das ciências ficaram conhecidos como mecenas.
               O Renascimento costuma ser dividido em três fases: Trecento (século XIV), Quattrocento (século XV) e Cinquecento (século XVI).
- Trecento: É o momento do pré renascimento.  Um momento de transição, em que conviveram elementos tradicionais da cultura medieval com os princípios humanistas.  Na literatura destacam-se: Dante Aliguieri (A Divina Comédia), Petrarca e Boccaccio; na pintura, destaca-se Giotto (1266 – 1337) precursor do Renascimento nas artes plásticas.
- Quettrocento: Período de maior riqueza e poder político das cidades, os valores das obras renascentistas desenvolveram-se rapidamente.  Destaca-se nesse período uma rica família de banqueiros, os Médicis, que assumiram o poder em Florença (1434).  No final do século XVI uma revolta tirou os Médicis do poder, que foi substituído por um frade – Savanarola, que foi mais autoritário na administração da cidade, opondo-se aos ideais e à produção intelectual renascentista que marginalizavam as explicações divinas do ser humano e do mundo.  Savanarola com apoio da população, mandou quebrar e queimar quadros, livros e esculturas.  Criticava também a Igreja Católica, por isso foi excomungado.  A partir desse momento, o centro da cultura renascentista transferiu-se para Roma.
- Cinquecento: Nessa fase as obras renascentistas atingiram seu mais alto grau de elaboração.  Na pintura destaca-se: Leonardo da Vinci (1452 – 1519), Michelangelo (1475 – 1564), Rafael (1483 – 1520) e Botticelli (1444 – 1510).  Leonardo da Vinci destacou-se também nas áreas da engenharia hidráulica, arquitetura, matemática, óptica, astronomia e biologia, entre outros campos do conhecimento.  Na literatura, destacaram-se o poeta Ariosto (1474 – 1533) e Nicolau Maquiavel.  Após esse período, inicia-se a decadência do Renascimento italiano.


O Renascimento científico: o nascimento da ciência moderna
          No período do Renascimento, a ciência moderna lançou suas bases fundamentais.   Abandonando as explicações sobrenaturais da Idade Média, os renascentista procuravam análises mais racionais, isto é, a razão humana, e não a revelação divina, deveria explicar a realidade.
               Para se chegar a uma explicação racional das coisas (Racionalismo) era necessário um método científico de observação, coleta de dados e criação de hipóteses, que deveriam ser testadas por meio de experimentações (Experimentalismo).
               O polonês Nicolau Copérnico (1473 – 1543) formulou a teoria heliocêntrica – a terra e os outros astros giram em torno do Sol, que é o centro do Universo – em oposição à geocêntrica – na qual a terra era o centro do universo – defendida pela Igreja Católica.
               Johann Kepler (1571 – 1630) deu continuidade às idéias de Copérnico e demonstrou que as órbitas dos planetas não eram circulares mais elípticas.
               O italiano Galileu Galilei (1564 – 1642) é considerado o pai da física moderna.  Defendia a idéia de que qualquer conhecimento científico deveria seguir um método a ser comprovado experimentalmente.  Foi muito perseguido pela Igreja Católica e obrigado a rever suas posições.

As várias faces do Renascimento Europeu
               O Renascimento atingiu várias regiões da Europa, sendo influenciado pelo Renascimento italiano: Países Baixos, França, Inglaterra, Espanha e Portugal.
- Países Baixos: Destacou-se mais nas artes plásticas (pintura): Robert Campis (1375 – 1444), Bruegel e os irmãos Jan (1390 – 1441) e Van Eyck (1366 – 1426).  Na literatura, destacaram-se: Erasmo de Rotterdam (1466 – 1536), obra principal (Elogio da loucura) criticou duramente a cultura medieval e a Igreja Católica.
- França: Destacou-se mais na literatura com François Rebelais (1494 – 1553), criador dos personagens Gargântula e Pantagruel, que renovaram a prosa e criticavam a Igreja e o universo medieval.  Na filosofia, destacou-se Michel de Montaigne (1533 – 1592).
- Inglaterra: A música, a literatura e o teatro tiveram um desenvolvimento significativo.  Na literatura destacou-se Thomas Morus (1475 – 1535), autor de Utopia (1516), que descreve as condições de vida de uma sociedade sem ricos e pobres, em uma ilha imaginária.  Na filosofia, destacou-se o filósofo Francis Bacon (1561 – 1626).  No teatro, destacou-se William Shakespeare (1564 – 1618), considerado um dos maiores dramaturgos de todos os tempos.
- Espanha: Destacou-se o pintor El Greco (1541 – 1614) e o escritor Miguel de Cervantes (1547 – 1616), autor de Dom Quixote de La Mancha.
- Portugal: Destacou-se o poeta Luís de Camões (1525 – 1580), autor da famosa epopéia sobre a conquista marítima portuguesa: Os Lusíadas; e o teatrólogo Gil Vicente  (1470 – 1536), criador do teatro nacional português.

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