segunda-feira, 11 de março de 2013

7º ANO : VIDEO: OS BÁRBAROS - OS VÂNDALOS 1/6

ASSISTAM A SEQUÊNCIA DE VÍDEOS 2/6; 3/6; 4/6; 5/6 E 6/6 - PESQUISE NO YOUTUBE.

POVO CULTO, POVO FELIZ.

7º ANO: A QUEDA DO IMPÉRIO ROMANO DO OCIDENTE - AS INVASÕES BÁRBARAS

A crise sócio-económica:
- A diminuição das guerras de conquista e a consequente diminuição do número de escravos, afectando a produção;
- No século III a crise económica atingiu seu apogeu, as moedas perderam valor e os salários e os preços elevaram-se, provocando o aumento da população marginalizada e maior exploração da mão-de-obra escrava, responsáveis por revoltas sociais, exigindo a constante intervenção militar.
- A disputa entre generais por maior influência política tendeu a agravar-se com o início das migrações bárbaras.
- Entre 293 e 305, o Imperador Diocleciano dividiu o Império em duas e depois em quatro partes, dando origem à Tetrarquia, numa tentativa de fortalecer a organização política sobre as várias províncias que compunham o império e aumentar o controle sobre os exércitos.
A Tetrarquia consistiu na divisão do Império entre dois Augustos e dois Césares: Constâncio Cloro ficou com a zona Ocidental; Maximiano com o território da Itália e boa parte da África setentrional; Galério recebeu a Europa Oriental (Ilíria, Macedónia, Grécia); Diocleciano recebeu o Oriente (territórios asiáticos e Egipto).
- Durante o governo de Diocleciano e Constantino, várias medidas foram adoptadas na tentativa de conter a crise, como a criação de impostos pagos em produtos, congelamento de preços e salários, e a fixação do camponês à terra.
- O imperador Constantino foi ainda o responsável por a conciliação entre o Império e o cristianismo, a partir do Édito de Milão (313), que garantia a liberdade religiosa aos cristãos, que até então haviam sofrido intensa perseguição.
- A nova religião foi ainda mais reforçada durante o governo de Teodósio quando, através do Édito de Tessalónica, o cristianismo foi considerado como religião oficial do Império. A política imperial baseava-se na utilização da Igreja como aliada, na medida em que esta era uma instituição hierarquizada e centralizada e que nesse sentido, contribuiria para justificar a centralização do poder.
- Com a morte do imperador Teodósio I, em 395, o Império Romano foi dividido entre os seus dois filhos: Arcádio, que ficou com o Oriente, tendo por capital Constantinopla (Bizâncio), e Honório, que ficou com o Ocidente, tendo por capital Roma. A partir daí, ocorreu uma progressiva separação entre Ocidente e Oriente.
Em resumo, a desordem política, a anarquia militar e a disseminação do Cristianismo são factores que, somados às Invasões Bárbaras, foram responsáveis pela crise e queda do Império Romano. Esse processo de ocupação foi realizado pelos bárbaros, povos que eram assim chamados pelos romanos por viverem fora dos territórios do Império e não falarem latim. Foi com a introdução das tradições dos bárbaros, também chamados germânicos, que o mundo feudal ganhou suas primeiras feições.
As grandes invasões (século V)
“visigodosNumerosos povos bárbaros invadiram a Gália. Toda a região entre os Alpes e os Pirineus, entre o Oceano e o Reno foi devastada pelos quados, vândalos, sármatas, albanos, gépidos, hérulos, saxões, burgúndios, alamanos e panoianos. O Império está na miséria. Mogúncia, antes uma cidade tão nobre, foi tomada e arruinada; e na sua igreja, milhares de pessoas foram massacradas. Worms foi destruída, depois de um longo cerco. Reims, aquela cidade poderosa, Amiens, Arras, Espira e Estrasburgo, todas viram seus cidadãos serem levados como escravos. A Aquitânia e as províncias de Lião e Narbona, com excepção de poucas cidades, ficaram inteira¬mente despovoadas.”
Amiano Marcelino. Res gestae. Transcrito por Robinson, James Harvey. O.cit. V1. pp 44-44. Adaptação.
Habitando as regiões fronteiriças do Império Romano, os povos bárbaros foram penetrando os territórios de Roma num processo lento e gradual. Inicialmente, dado o colapso da estrutura militar e as constantes guerras civis, os imperadores romanos realizavam acordos, pelos quais os bárbaros ganhavam o direito de habitar essas regiões. Em troca, eles defendiam a fronteira da invasão de outros povos. Esses primeiros bárbaros, incorporados no mundo romano, ficaram conhecidos como federados.
Nos séculos IV e V este processo de invasão ganhou feições mais conflituosas. Com a pressão exercida pelos Hunos (tártaro-mongóis), liderados pelo temível Átila, os povos bárbaros começaram a intensificar o processo de invasão do Império Romano.
Átila, “O flagelo de Deus”
atila
Como são os Hunos (século V)
“Os historiadores antigos mal mencionam os hunos. Eles habitam nas margens do Mar Glacial. A sua ferocidade supera tudo.
Não cozinham nem temperam o que comem. Alimentam-se de raízes silvestres ou da carne do primeiro animal que aparece, carne esta que esquentam por algum tempo, sobre o dorso de seu cavalo, entre suas próprias pernas. Não possuem abrigo. Entre eles não se usam casas, nem túmulos. Não encontraríamos nem mesmo uma cabana. Passam a vida percorrendo as montanhas e as florestas. São endurecidos desde o berço contra o frio, a  fome e a sede. Mesmo em viagem, não entram em habitação sem necessidade absoluta e não se crêem nunca em segurança.
Não têm reis nem governantes, mas obedecem a chefes, eleitos em cada circunstância. Quando se lançam ao combate, soltam no ar uma gritaria terrível.”
Amiano Marcelino. Res gestae. Transcrito por Courcelle, Pierre. História literária das grandes invasões germânicas. Petrópolis, Vozes, 1955, pp. 151-152.
O modo de vida dos Hunos
“O Historiador Amiano Marcelino (320-390), que era oficial do exército romano, descreveu assim algumas características dos hunos:
Os hunos têm um modo de vida muito rude. Não cozinham, nem temperam os alimentos. Comem raízes das plantas e carne semicrua de qualquer animal.
Vestem-se com tecidos de linho ou com peles de ratos cosidas umas às outras. Depois de vestir as suas roupas, não as tiram do corpo, até que o tempo as desfaça em pedaços.
Não possuem casas, nem cabanas, nem constroem túmulos para os seus mortos. Vivem sempre montados nos seus cavalos. É assim que compram e vendem, comem e bebem. Agarrados ao pescoço do cavalo, dormem em sono profundo.
Os hunos não se dedicam à agricultura. Passam a vida andando pelas montanhas e florestas. Não têm qualquer forma de organização estável. Parece que estão sempre fugindo nos seus cavalos e carroças.”
Gilberto Cotrin, História e Reflexão. P. 14
  • Entre os principais povos responsáveis pela fragmentação do Império podemos destacar os Visigodos, Ostrogodos, Anglo-Saxões, Francos, Suevos e Vândalos.
  • Com a invasão dos Hérulos, em 476, o último imperador romano, Rómulo Augusto, foi deposto. Odoacro, chefe dos Hérulos, subiu ao poder. Era o fim do Império Romano do Ocidente. O Império romano do Oriente, ou Bizantino, manteve-se até à conquista de Constantinopla pelos Turcos em 1453 (séc. XV).
imperioromano
O saque de Roma (século V)
“Do Ocidente chega-nos uma notícia assustadora; Roma está cercada. Dizem-nos que os seus cidadãos, que haviam pago um resgate, entregando tudo o que tinham de ouro e prata, foram novamente atacados e depois de perderem seus bens, perderam também a vida. (…)
A cidade que havia conquistado o mundo foi ela mesma conquistada. Ou, para dizer melhor, morreu de fome, antes de ser destruída. Quase não sobrou ninguém para ser escravizado. Na sua fome desesperada, os romanos comiam coisas horríveis. E até carne humana.”
São Jerónimo. Transcrito por Zelasco. G. et alii. O. cit. v. p.383. Adaptação.
Os Reinos Bárbaros:
divisao-imperio1
• Francos: estabeleceram-se na região da actual França e fundaram o Reino Franco;
• Lombardos: invadiram a região norte da Península Itálica;
• Anglos e Saxões: penetraram e instalaram-se no território da actual Inglaterra;
• Burgúndios: estabeleceram-se no sudoeste da França;
• Visigodos: instalaram-se na região da Gália, Itália e Península Ibérica;
• Suevos: invadiram e habitaram a Península Ibérica;
• Vândalos: estabeleceram-se no norte da África e na Península Ibérica;
• Ostrogodos: invadiram a região da actual Itália.
O processo das invasões bárbaras foi de grande importância para que o Império Romano e o seu conjunto de valores e tradições passassem por um processo de junção com a cultura germânica. Dessa maneira, a Idade Média, além de ser inaugurada pelo estabelecimento dos reinos bárbaros, também ficou marcada pela mistura de instituições e costumes de origem romana e germânica.
ORGANIZACÃO SOCIAL DOS POVOS “BÁRBAROS”/GERMANOS:
A organização política dos germanos era bastante simples. Em época de paz eram governados por uma assembleia de guerreiros, formada pelos homens da tribo em idade adulta. Essa assembleia não tinha poderes legislativos e as suas funções restringiam-se à interpretação dos costumes. Também decidia as questões de guerra e de paz ou se a tribo deveria migrar para outro local.
Em época de guerra, a tribo era governada por uma instituição denominada comitatus. Era a reunião de guerreiros em torno de um líder militar, ao qual todos deviam total obediência. Esse líder era eleito e tomava o título de Herzog.
celtwar-romaOs germanos viviam de uma agricultura rudimentar, da caça e da pesca. Não tendo conhecimento das técnicas agrícolas, eram semi nómadas, pois não sabiam reaproveitar o solo esgotado pelas plantações. A propriedade da terra era colectiva e quase todo trabalho era executado pelas mulheres. Os homens, quando não estavam caçando ou lutando, gastavam a maior parte de seu tempo bebendo ou dormindo.
A sociedade era patriarcal, o casamento monogâmico e o adultério severamente punido. Em algumas tribos proibia-se até o casamento das viúvas. O direito era consuetudinário, ou seja, baseava-se nos costumes.
A religião era politeísta e adoravam as forças da natureza. Os principais deuses eram: Odin, o protector dos guerreiros; Tor, o deus do trovão; e Freia, a deusa do amor. Acreditavam que apenas os guerreiros mortos em combate iriam para o Valhala, uma espécie de paraíso. As Valquírias, mensageiras de Odin, visitavam os campos de batalha, levando os mortos. As pessoas que morriam de velhice ou doentes iriam para o reino de Hell, onde só havia trevas e muito frio.
Resumo:
- Economia natural, sem moeda.
- Caça, pesca saques, pastoreio, agricultura rudimentar.
- Propriedade colectiva da terra.
- Divididos em tribos.
- Sem escrita.
- Direito consuetudinário (baseado nos costumes e na oralidade).
- Religião politeísta
No processo de invasão e formação dos reinos bárbaros, deu-se ao mesmo tempo, a “barbarização” das populações romanas e a “romanização” dos bárbaros. Na economia, a Europa adoptou as práticas económicas germânicas, voltadas para a agricultura, onde o comércio era de pequena importância.
Apesar de dominadores, os bárbaros não tentaram destruir os resquícios da cultura romana; ao contrário, em vários aspectos, assimilaram-na e revigoraram-na. Isso deu-se, por exemplo, na organização política. Estes povos, que tinham uma primitiva organização tribal, adoptaram parcialmente a instituição monárquica e algumas normas da administração romana. Muitos povos bárbaros adoptaram o latim como língua oficial. Os novos reinos converteram-se progressivamente ao catolicismo e aceitaram a autoridade da Igreja Católica, à cabeça da qual se encontrava o bispo de Roma.
Com a ruptura da antiga unidade romana, a Igreja Católica tornou-se a única instituição universal europeia. Essa situação deu-lhe uma posição invejável durante toda a Idade Média.
As invasões bárbaras
As invasões bárbaras na Hispânia

 


sábado, 16 de junho de 2012

REVOLUÇÃO FRANCESA

                                    Aula do Telecurso 2000 - Revolução Francesa - Parte 1 / 2

                                      Aula do Telecurso 2000 - Revolução Francesa - Parte 2 / 2

segunda-feira, 14 de maio de 2012

AS CRUZADAS - Documentário

                                                      Episódio 1/7 - AS CRUZADAS

quinta-feira, 15 de março de 2012

Mesopotâmia Parte 2/2

Filme Didático - Mesopotâmia

Mesopotâmia: a região entre rios

A região da mesopotâmia está localizada no Crescente Fértil, situado no Oriente Próximo. —A mesopotâmia é uma extensa planície entre os rios Tigre e Eufrates, no atual Iraque.
Na Mesopotâmia nasceram os primeiros reinos da História, formados por diversos povos:
  •  Sumérios
  • Acádios (ou Babilônios)
  • Assírios
  • Caldeus
  • Hititas

E onde surgiram as primeiras cidades? No Crescente Fértil!

A agricultura tem início no Oriente Próximo, em uma região chamada Crescente Fértil.  Como o nome diz, era uma região de terras férteis bem próximas de rios, como os rios Tigre e Eufrates na Mesopotâmia e o rio Nilo, no Egito. Nessas regiões, onde a agricultura se desenvolveu, surgiram as primeiras cidades.
Graças a agricultura, e a posterior domesticação de animais, os seres humanos deixaram de ser nômades. Ou seja, deixaram de se deslocar em busca de alimentos, pois plantavam e colhiam o que necessitavam para se alimentar. Portanto, podemos dizer que se tornaram sedentários!
Mapa do Crescente Fértil

 Como as civilizações antigas do oriente surgiram?

O aparecimento das cidades marcou a passagem da Pré-História para História. Mas nem toda aldeia neolítica tornou-se cidade. Para isso acontecer foi preciso que, durante centenas de anos, ocorresse um conjunto de fatores na vida da aldeia neolítica, iniciados por volta de 3.500 a.C. E que fatores foram esses?
- Agricultura e criação de animais;
- Fertilidade dos solos;
- Proximidade aos rios;
- Aumento populacional;
- Expansão das áreas de cultivo e pastagens;
- Novas técnicas de cultivo e instrumentos de trabalho

Mesopotâmia - 7º ANOS

MESOPOTÂMIA.
A palavra mesopotâmia tem origem grega e significa "terra entre rios". Essa região localiza-se entre os rios Tigre e Eufrates no Oriente Médio, onde atualmente é o Iraque. Esta civilização é considerada uma das mais antigas da história.
RELIGIÃO:
  • Politeísta (adoravam à vários deuses);
  • Deuses antropomórficos (mistura de animais com seres humanos). Não acreditavam na vida após morte e não se preocupavam com os mortos, mas acreditavam em demônios, gênios, espíritos bons, magias e adivinhações. A importância que atribuíam aos astros levou-os a criar o zodíaco e os primeiros horóscopos.

ECONOMIA:
  • Agricultura;
  • Criação de gado, o artesanato;
  • Mineração;
  • Comércio à base de trocas que se estendia à Ásia menor, ao Egito e à Índia

DIVISÃO EM CIDADES-ESTADO.

SOCIEDADE: dividida em castas.
FORMADA DE VÁRIOS POVOS ORIUNDOS DE DIFERENTES REGIÕES.
1)SUMÉRIOS: os primeiros a habitar o sul da Mesopotâmia e construir as primeiras cidades de que a humanidade tem conhecimento, como Ur, Uruk
Contribuições:
  • Escrita cuneiforme;
  • Veículos sobre rodas;
  • Irrigação;
  • Metalurgia do bronze.

2)ACÁDIOS: Em 2300 a.C., os acádios dominaram os sumérios graças ao uso do arco e flecha, mas trezentos anos depois foram dominados pelos amoritas (antigos babilônicos).
3)AMORITAS (ou BABILÔNIOS): edificaram o Primeiro Império Babilônico.
Principal rei: Hamurabi.
Contribuições:
  • Primeiros códigos de leis escritos da História - o Código de Hamurabi;
  • Astronomia.
4)ASSÍRIOS: passaram a se organizar como sociedade altamente militar e expansionista. Bastante violentos.
Principal rei: Assurbanipal.
Contribuições:
  • Armas de ferro;
  • Carros de combate;
  • Aríetes.
5)CALDEUS (ou NEOBABILÔNIOS): os caldeus foram os principais responsáveis pela derrota dos assírios e pela organização do novo império babilônico.
Principal rei: Nabucodonosor.
Contribuições:
  • Matemática.

INVENÇÕES E CONTRIBUIÇÃO DA MESOPOTÂMIA PARA A HUMANIDADE:
  • Escrita (escrita cuneiforme);
  • Astrologia (criação do zodíaco - horóscopo);
  • Arquitetura (templos: Zigurate);
  • Primeira lei escrita (Código de Hamurabi);
  • Matemática;
  • Mito da Criação e Epopéia de Gilgamesh (contribuição literária);
  • Metalurgia do bronze e do ferro;
  • Irrigação;
  • Arado;
  • Carro sobre rodas;
  • O ano de 12 meses e a semana de 7 dias;
  • A divisão do dia em 24 horas

Fonte:
Livro didático Construindo Conciências.


Exercícios
1 – Quais os povos que habitaram a região da mesopotâmia?

2 – Qual o povo que era conhecido como babilônios?

3 – Qual a principal característica do povo assírio?

4 - Como estava dividida a sociedade da mesopotâmia?

5 – Como ficaram conhecidos os caldeus?

6 – Quais as contribuições dos povos da mesopotâmia para a humanidade?

segunda-feira, 12 de dezembro de 2011

Da abertura dos portos ao Tratado de 1810


Conheça mais detalhes dos da Abertura dos portos do Brasil e o Tratado de 1810, que privilegiava a Inglaterra em suas relações comerciais com Portugal e sua colônia, o Brasil. 

Da Abertura dos Portos ao Tratado de 1810
Em apenas dois anos, de 1808 a 1810, o Príncipe Regente da Coroa dos Bragança foi constrangido pelos britânicos e alguns brasileiros a desmontar o Pacto Colonial. Acerto que desde 1500 amarrava o Brasil a Portugal. Com apenas um par de autógrafos a velha política mercantilista mantida por Lisboa,vigente desde os tempos de D.Manuel o Venturoso, foi-se abaixo, abrindo caminho para a gradativa emancipação econômica da maior colônia lusitana nos trópicos.

Os artefatos feitos em Manchester ou Liverpool até então represados pelo Bloqueio de Napoleão, afluíram em massa para os portos do Brasil. Os armazéns e depósitos espalhados pelos cais de Salvador e do Rio de Janeiro ficaram repletos de bens de consumo como das coisas mais estranhas possíveis (vieram até patins para gelo e sobretudos de lã).

O excesso disso tornou letra morta o alvará real de 1º de abril de 1808 que legalizava a implantação de fábricas no Brasil. Qualquer coisa que saísse de uma oficina brasileira seria esmagada pela presença ostensiva do seu equivalente inglês.(*) Um pouco antes, D.João – um tanto como se fora um marquês do Pombal redivivo - não se furtara em animar os inventos e as artes mecânicas, estimulando-as por um outro alvará, datado de 28 de abril de 1809, que isentava certas matérias primas necessárias à composição de manufaturas, como por igual abstinha-se de exigir impostos por aquilo que por elas era exportado, além de outorgas de privilégios exclusivos aos inventores de novas máquinas.

Chegou até a autorizar uma loteria especial para angariar amparo às fabricas que precisassem de auxilio extra. Tudo aquilo enfim que desse ânimo ao espírito de um capitalista ou de um empreendedor. E isso seria feito, segundo Silva Lisboa, o visconde do Cairu, o maior mentor intelectual da política econômica do trono, sem prejudicar a vocação básica da colônia que era a agricultura (centrada basicamente na exportação do açúcar, tabaco, algodão e café).
O crescimento da lavoura deste último, do café, ao longo do século XIX, veio acentuar ainda mais o desdém pelas possibilidades da indústria local. Todavia, foi inegável o impacto positivo da Abertura dos Portos e dos Tratados de 1810 na economia colonial, não apenas por rebaixar o custo de vida, mas por dinamizar uma sociedade que se via estagnada desde a acentuada queda do vigor extrativo das Minas Gerais e dos efeitos negativos do Bloqueio Continental. A relação da chegada de barcos na baia da Guanabara entre 1805 e 1810 claramente mostra a evidência disto:
Ano - nº de embarcações

1805 - 810

1806 - 642

1807 - 777

1808 - 765

1810 - 1.214
Fonte: Oliveira Lima – D.João VI no Brasil. Cap. IX: Relações comerciais do Brasil. Os tratados de 1810
(*) Para os historiadores nacionalistas a Abertura dos Portos e o Tratado de 1810 impediram a formação de um embrião fabril no Brasil, visto que era impossível competir com o produto inglês, melhor e mais barato. Somente uma política protecionista poderia ambicionar sucesso. Todavia, outros apontam que a existência do eito era um empecilho maior visto que os escravos não faziam parte do consumo, não compondo renda interna suficiente para a absorção do produzido.Era uma ironia constatar que o maior mercado escravista do mundo ocidental estava longe formar um mercado consumidor razoável.
É importante por igual considerar a pouca disposição dos portugueses e dos reinóis que aqui estavam estabelecidos para os trabalhos técnicos e mecânicos. Habilidade em que os ingleses então eram imbatíveis (ver Nícia Vilela Luz - "A Luta pela Industrialização no Brasil" . Editora Alfa-Omega, 1975).
Da Liberdade Econômica
Com o Brasil sucedeu pois um fato curioso. Enquanto a maioria dos Movimentos de Independência da América Espanhola teve que antes conquistar sua liberdade política para depois alcançar sua liberdade econômica, no Brasil se deu ao revés.
A Abertura dos Portos e os Tratados de 1810 assinados por D.João tornaram irreversíveis as conquistas econômicas, fazendo do Brasil o "mercado mais livre do mundo", permitindo grande autonomia local, deste modo, quando D.Pedro I declarou-se pela independência em 1822, o país de fato já não estava mais atrelado a Portugal. Em nada mais dependia do antigo reino.
Strangford em ação
Como representante da Sua Majestade Britânica junto à Corte portuguesa no exílio, lorde Strangford agiu por dois anos como se fora um buldogue mordendo a presa. Não havia maneira dele arrefecer no seu intento de arrancar do Príncipe Regente, refugiado no Rio de Janeiro, um tratado que cedesse privilégios de exclusividade ao comércio inglês.
Mal D.João desembarcara na baia da Guanabara e o assedio começou. Depois de descansar em Salvador na Bahia por um mês, eis que sua alteza vindo de uma exaustiva viagem, adentrou na sede do vice-reino do Brasil no dia 7 de março de 1808.
A bordo da nau "Príncipe Real" espremiam-se mais de mil pessoas (104 passageiros e 950 tripulantes) que, em seguida ao desembarque, trataram de se acomodar nas residências previamente selecionadas para acolhe-los.
Recebeu-os o jovem vice-rei, o conde dos Arcos que transladou o príncipe até a rampa do Paço numa galeota de vinte remos, pintada de ouro e de vermelho, protegendo-o do sol forte com um dossel púrpura. Em terra um meio-mundo de fidalgos, magistrados, militares e padres, se perfilava a espera do soberano alinhados e protegidos por um mar de baionetas.
Deu-se então a época do P.R., do "ponha-se na rua" como os cariocas denominaram a perda das suas residências para os fidalgos do além-mar. Foi quase um dilúvio humano que se abateu sobre eles, pois a comitiva era imensa, entre 10 a 15 mil pessoas que arribavam numa cidade que na ocasião mal tinha 60 mil habitantes (a metade deles escrava).(*)
O primeiro ato econômico significativo do príncipe recém-chegado ao Brasil ocorrera semanas antes na Bahia, quando atendendo a demanda direta dos comerciantes locais, levados a presença dele pelo conde da Ponte, e cumprindo com os favores devidos aos britânicos, abrira os portos no dia 28 de janeiro de 1808 às "nações amigas" (basicamente à Grã-Bretanha). Era o tiro de misericórdia disparado pelo próprio Magistrado Maior de Portugal contra uma prática comercial que rendia ao mercador metropolitano lucros ao redor de 150% (Lisboa ficava com 250 libras e cada 100 enviadas para o exterior).
(*) Verificações feitas posteriormente indicaram que o número dos recém chegados era infinitamente menor, calculando-os ao redor de 600 ou 650 fidalgos e funcionários.
Tirar o comércio colonial do aperto
O comércio colonial estava estrangulado. A queda de Lisboa nas mãos de Junot foi o ápice das dificuldades que haviam começado um ano antes com o Bloqueio Continental assinado por Napoleão em Berlim em 21 de novembro de 1806. A clausura era total. Barcos vindos do Brasil não podiam ancorar em nenhum porto europeu, senão que os controlados pelos ingleses . Até o sempre intenso tráfico de escravos com a África viu-se afetado. A salvação dos mercadores da colônia estava pois nas mãos do Príncipe Regente. E ele não os frustrou.
O passo seguinte dado por D.João na sua crescente adesão à política liberal, isso já no Rio de Janeiro, foi a revogação no dia 1º de abril de 1808 do alvará de 5 de janeiro de 1785, assinado por sua mãe, D.Maria I, que proibia a existência de manufaturas no Brasil.(*)
(*) Diga-se que o objetivo de tal medida antimanufatureira não se devia a nenhum preconceito contra a atividade fabril em si, mas sim correspondia a lógica da exploração colonialista. O alvará quanto a isso foi muito claro, determinando que os poucos braços que a colônia dispunha deviam ser concentrados na lavoura, no garimpo e na lavras, e não nas atividades industriais. "Porque – como explicitava o alvará -" havendo uma grande, e conhecida, falta de população, é evidente que, quanto mais se multiplicar o número dos fabricantes, mais diminuirá o dos cultivadores; e menos braços haverá que se possam empregar no descobrimento, e rompimento de uma grande parte daqueles extensos domínios que ainda se acha inculta, e desconhecida." Talvez, como reação a isso, era projeto dos Inconfidentes de 1789, promoverem a indústria no Brasil a ser libertado por eles.
Os Tratados de 1810
Denominado oficialmente de “Treaty of Cooperation and Friendship”, Tratado de Cooperação e Amizade, de 1810 , assinado pelo conde de Linhares e pelo lorde Strangford, eram compostos por dois acertos: um de aliança e amizade (com 11 artigos e 2 decretos) e o outro de comércio e navegação (com 34 artigos). Passaram como exemplo clássico de uma imposição leonina, e de certo modo como o ápice de uma relação de dependência que Portugal mantinha com a Inglaterra desde que pela Revolta do Porto se emancipara da Espanha em 1640. Fato que se acentuara ainda mais com o Tratado de Methuen, de 1703, o famoso acordo da troca de panos (ingleses) por vinhos (portugueses).
Simultaneamente a isso, o Tratado de 1810 marcou uma retumbante vitória das forças do Liberalismo econômico sobre o Mercantilismo declinante ao tempo em que assinalava a magnitude do poder da Coroa Britânica, senhora de boa parte do mundo, frente a um trono português, fragilíssimo, que praticamente passou a viver de favores.
Um dos exemplos mais gritantes da mercê ofertada era o fato de que as mercadorias vindas de Londres ou de qualquer outro porto britânico somente serem taxadas em 15%, enquanto as que eram embarcadas de locais portugueses tinham que pagar 16% de imposto alfandegário e os outros países ao redor de 24%.
Na prática, a Grã-Bretanha, apesar das suas declarações altissonantes pró livre-cambismo, exerceu por um bom tempo um autentico monopólio comercial sobre o Império Português.
Além disso, no terreno das relações humanas, enquanto os súditos britânicos tinham direito à extraterritorialidade, sendo julgados no Brasil e nas demais possessões portuguesas pelo Tribunal do Almirantado, composto por magistrados ingleses, o mesmo não se aplicava aos portugueses que se encontravam em terras inglesas. Estes, se envolvidos em litígios, deviam confiar na "magnanimidade da justiça britânica."
Bibliografia
Lima, Oliveira – D.João VI no Brasil. Rio de Janeiro: Topbooks, 2006.
Luz, Nícia Vilela - "A Luta pela Industrialização no Brasil . São Paulo", São Paulo: Editora Alfa-Omega, 1975.
Simonsen – História Econômica do Brasil.São Paulo: Editora Nacional
Vicente, Antônio Pedro – Política exterior de D.João VI no Brasil, in Estudos Avançados vol.7 no.19 São Paulo Dec. 1993

Índios - Brasil 500 ANOS







segunda-feira, 5 de dezembro de 2011

Quem são os PIratas?

Hugo R C Souza   

No dia 18 de abril aconteceu uma perseguição inusitada nas águas que banham a península da Somália, região conhecida como Chifre da África. Poderosos navios de guerra e helicópteros da Otan ficaram nada menos do que sete horas no encalço de uma pequena lancha tripulada por sete supostos piratas somalis, por fim os encurralando e abrindo fogo contra eles. O monopólio internacional dos meios de comunicação reportou o episódio, e noves fora a ausência de qualquer estranhamento quanto a tamanha desproporcionalidade de força e esforços, a história toda pareceu muito mal contada.

http://www.anovademocracia.com.br/53/17a1.jpg
Abde sendo deportado para o USA
Os sete homens teriam protagonizado uma tentativa de sequestro frustrada a um petroleiro norueguês, tendo saído em fuga quando a tripulação atacada conseguiu avisar a frota dita "antipirataria" que nos dias que correm anda estacionada na costa da Somália. Uma vez detidos pela Otan, contaram os jornais e agências de notícias internacionais, os "piratas" foram interrogados pelos militares e depois liberados, "por falta de alternativa jurídica para mantê-los presos".

Sabemos bem que, para o USA, alternativa jurídica é algo que se arranja no âmbito do Direito Internacional— aparato jurídico do imperialismo — de acordo com o calendário das suas políticas de ingerência, ou que se dispensa com empáfia diante da urgência de uma agressão qualquer. Vide o caso do bravo rapaz somali que foi preso em águas territoriais do seu país natal e depois transportado sob custódia militar para o USA, onde será a primeira pessoa a ser julgada em um tribunal ianque pelo crime de pirataria em mais de um século.

Poucos dias depois de a Otan fazer seu exercício de agressão no Chifre da África, um juiz de Nova Iorque decidiu que o jovem somali tem 18 anos de idade completos, por decreto, sem fundamento, sob a inexistência de qualquer indício que pudesse identificar sua data de nascimento com precisão, e a despeito de a mãe do rapaz garantir que ele tem 16 anos, e dos seus apelos por sua libertação. A decisão judicial sobre a maioridade de Abde Wale Abdul Kadhir Muse obedeceu apenas ao critério da instrumentalização da lei para servir às demandas da metrópole.

Diante desta truculência jurídica, por que teria havido tantos pudores para esculachar os somalis que, segundo a versão oficial, não passam de criminosos internacionais encurralados pela frota da Otan? O fato é que, meses antes deste episódio, quando notícias sobre pirataria na costa da Somália começavam a ganhar as primeiras páginas do jornais, um jornalista britânico chamado Johann Hari escreveu um artigo intrigante no jornal britânico The Independent, sob o título "Estão mentindo para nós sobre os piratas".

Quem são os ladrões?

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Tambor de lixo tóxico jogado na costa da Somália
A rigor, o Estado somali, surgido em 1960 após um acordo de matriz colonial entre a Itália e a Grã-Bretanha, praticamente não existe mais desde 1991. É uma terra esquecida, isolada, abandonada pela chamada "comunidade internacional", entregue à fome e à guerra civil depois de ser exaurida pelas potências estrangeiras, após décadas de usurpação imperialista. Nove milhões de somalis não têm o que comer. A expectativa de vida da população é de menos de 50 anos de idade. Dez por cento das crianças morrem logo depois de nascer, e 25% das que sobrevivem acabam não passando dos 5 anos de vida.

Em seu texto no Independent, Hari explica que os países ricos não tardaram em ver na desgraça somali mais uma oportunidade para pilhar e afrontar os deserdados do mundo. Ele conta que navios europeus adotaram o criminoso hábito de roubar os recursos presentes nas águas territoriais da Somália, principalmente a pesca. Estima-se que a rapina gire em torno de 300 milhões de toneladas de atum, camarão e lagosta a cada ano. Os grandes pesqueiros ilegais fazem a festa, enquanto os pescadores locais passam fome. Afinal, quem pirateia quem no Chifre da África?

Ao mesmo tempo, os países ricos viram nos mares da Somália o local ideal para jogar todo o lixo nuclear do planeta:

"Exatamente isso: lixo atômico. Nem bem o governo desfez-se (e os ricos partiram), começaram a aparecer misteriosos navios europeus no litoral da Somália, que jogavam ao mar contêineres e barris enormes. A população litorânea começou a adoecer. No começo, erupções de pele, náuseas e bebês malformados. Então, com o tsunami de 2005, centenas de barris enferrujados e com vazamentos apareceram em diferentes pontos do litoral. Muita gente apresentou sintomas de contaminação por radiação e houve 300 mortes".

Uma das fontes ouvidas por Hari em sua investigação foi ninguém menos do que o honorável enviado da ONU na Somália, Ahmedou Ould-Abdallah, que lhe disse o seguinte, com todas as letras: "Alguém está jogando lixo atômico no litoral da Somália. E chumbo e metais pesados, cádmio, mercúrio, encontram-se praticamente todos".

Aqueles que na CNN, na Globo ou órgãos que tais são apresentados ao povos do mundo como piratas, na verdade são conhecidos entre os populares do nordeste africano como "Guarda Costeira Voluntária da Somália". Uma pesquisa recente deu conta de que 70% dos somalis aprovam incondicionalmente esta brigada marítima de defesa nacional. São esses homens, que têm o respaldo do povo pobre, os que agora o USA e a Otan estão empenhados em perseguir por terra, água e ar.

É claro, lembra Hari, que há gângsters metidos em todo este imbróglio, mas este é o contexto no qual se dão as batalhas de soberania no Chifre da África e de informação sobre como o valente povo somali não se deixa vencer pela força bruta dos poderosos.

Enquanto isso, o esforço dos mentirosos para manter os não-africanos na ignorância parece não conhecer limites. A United States Navy (USN), a marinha ianque, acaba de fechar um acordo com a emissora Spike TV para a colocação de câmeras de vídeo em seus encouraçados e destroiers, para fins de exibição do reality show "Pirate Hunters: USN". ("Caçadores de Piratas"). O anúncio foi feito um dia depois de o USA ter matado três membros da "Guarda Costeira Voluntária da Somália" em alto mar.
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